Ela é cheia de contradições, ou não

Alguns textos carregam muito de nós em cada palavra, outros carregam pouco e ainda há aqueles que não carregam nada, são resultado do que Ela é cheia de contradições, ou não

observamos. Este, particularmente, carrega muito sobre mim e, talvez, bastante sobre você.

Hoje resolvi falar sobre um traço de personalidade de pessoas profundas, a contradição. Isso mesmo, a contradição não é um defeito ou uma virtude; é um traço, uma característica.

A questão é que pessoas rasas tem opinião rígida, formada e irredutível. São aquelas que, nem o tempo – em sua missão de doar experiências –  é capaz de balançar o seu ponto de vista. Por que eu as denomino como rasas? Porque quem é raso não consegue enxergar outras opções, e, mais do que isso, não se importa em procurá-las.

Por outro lado, pessoas profundas sabem de tudo, e, ao mesmo tempo, não sabem de nada. São aquelas que questionam tudo a todo momento, em busca de uma nova forma de pensar, mesmo que esta nova forma anule uma opinião que ela tanto propagou. É nessa busca incessante por novas possibilidades que o sujeito profundo se contradiz.

Pessoas rasas enxergam em um único plano; pessoas profundas escavam até descobrirem muitos ângulos.

Quando comecei este texto minha maior certeza era de me considerar uma pessoa profunda, devido a constante contradição que permeia minha mente. No entanto, neste ponto da escrita, consigo ter uma conclusão mais plausível. Somos todos profundos e rasos, simultaneamente. Como?

Em alguns aspectos não queremos que nada mude e isso é necessário. Não há outra possibilidade e procurar por algo inexistente é perda de tempo. Só que, ao mesmo tempo, existem outras opiniões e situações que merecem questionamento, alterando nossa visão de perspectiva.

Sem dúvidas, há pessoas mais rasas do que profundas, como há pessoas mais profundas do que rasas. É há ainda, aquelas que desejamos ser: as que estão em perfeito ponto de equilíbrio.

A verdade é que não devemos ser tão rasos ao ponto de não termos empatia para ver como o outro vê e aprender com ele, mas também, não podemos ser tão profundos ao ponto de nos deixarmos convencer por qualquer opinião alheia.

Por isso, não se abale quando escrever ou dizer algo, e, algum tempo depois perceber que essa não é a sua opinião. Aprenda com isso. Não há nada mais didático que aprender com nós mesmos.

 

 

Rafaela Perensin

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