Instagram Stories

Lançado nesta semana, o Instagram Stories é uma cópia tão descarada do Snapchat que o próprio CEO do Instagram, Kevin Systrom, admitiu que a outra empresa merecia todo o crédito pelo seu novo produto. Mas isso não significa que a novidade seja ruim; na verdade, o Stories chega a corrigir pequenos detalhes que vêm impedindo o Snapchat de se tornar um serviço verdadeiramente mainstream.

O conceito básico do Snapchat foi todo clonado no Instagram Stories, até os comandos gestuais são parecidos. Basicamente, lá se posta fotos e vídeos que ficam disponíveis por 24 horas; é possível acrescentar alguns filtros, além de desenhar e escrever por cima de tudo isso. Nesse caso, a efemeridade permite mostrar o dia a dia sem a cobrança por curtidas (embora o Snapchat seja mais que isso, porque também possibilita a troca de mensagens que se autodestroem, o Facebook Messenger está trabalhando num recurso idêntico).

Há, entretanto, duas diferenças fundamentais entre os dois produtos. A primeira é que o Stories é muito mais intuitivo. O Snapchat passou anos funcionando como uma sociedade secreta digital para adolescentes; quando os adultos se envolveram, surgiu uma onda de reclamações de que era difícil entender o aplicativo. E isso persiste até hoje, usuários continuam sendo obrigados a desbravar o serviço porque não há indicações claras sobre seu funcionamento.

O Instagram, por outro lado, fez com que as funções do Stories fossem autoexplicativas. Um exemplo: enquanto no Snapchat é preciso adivinhar que dá para comentar um post ao arrastar a tela para cima, no Stories há um link em que se lê: “Enviar mensagem” — bem mais simples.

A outra questão que separa os dois são as estratégias para atrair público. Até hoje a única forma de encontrar as pessoas no Snapchat é adivinhando seus nomes de usuário ou contando com a boa vontade delas. Como não há possibilidade de conexão com o Facebook, cada um precisa se virar para contar aos amigos que possui conta por lá, o que muita gente faz no Twitter trocando o nome por algo como “snap:fulanodetal”. O Stories, porém, nasce com mais de 500 milhões de usuários, basta que a pessoa tenha conta no Instagram e ela pode usar a novidade num ambiente que já conta com todos os seus contatos habituais.

Nenhuma dessas diferenças torna o Stories necessariamente melhor que o Snapchat. O que eu chamo de problema de usabilidade pode ser considerado pelo público cativo um mecanismo de defesa, talvez a dificuldade de entendimento sirva para espantar forasteiros. Mas é preciso ter em mente que nenhum serviço, por melhor que seja, sobrevive sem dinheiro. O dinheiro normalmente vem de anunciantes, para quem geralmente importa mais ter um público grande do que um público fiel, e uma boa forma de atrair usuários é assegurando que seu produto seja fácil de se usar. Há anos o Snapchat vem fazendo o oposto disso sem muitos problemas — provavelmente porque não tinha um concorrente à altura.

 

Fonte: LEONARDO PEREIRA 04/08/2016 10H02 FACEBOOKINSTAGRAMSNAPCHAT

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